A face da tormenta

Author: Jefferson Corrêa / Marcadores: ,

“Dias se passaram e nossa caminhada ficava cada vez mais difícil, estávamos andando por uma planície que parecia não ter fim, não se avistava nada ao longe além de raros animais selvagens e ainda mais raras arvores solitárias.O peso das mochilas que carregávamos parecia ter aumentado muito, mais a mochila de comida parecia desconfortavelmente leve, talvez não teríamos comida em poucos dias, talvez estivéssemos fadados a morrer de fome, mas Nimb rolou seus dados.
Naquela tarde Azgher castigava nossos olhos com um sol forte do meio-dia que queimava nossas peles e fazia com que a caminhada se tornasse mais penosa, nós passávamos por um campo com mato alto que cobria tudo até a altura de nossos joelhos quando avistamos no horizonte algo que parecia o contorno de uma carroça tombada e alguém parado ao seu lado. Corremos em sua direção na esperança de que ele poderia nos ajudar a chegar a yuden ou mesmo nos abastecer com um pouco de água e comida. Conforme nos aproximávamos percebemos que mesmo chamando e acenado para figura humana, que agora mais próximo parecia um homem de altura mediana e trajando um manto que lhe cobria todo o corpo, não se virava para olhar, até que chegamos a poucos metros dele que ele se virou para nossa direção.... Nossa mente estava preparada para tudo, menos para aquilo. Com os olhos ainda ardendo pelo sol forte encaramos incrédulos uma figura que não parecia pertencer aquele lugar, ou aquele mundo, ou mesmo aquela realidade, ele tinha um corpo humanóide coberto por escamas e uma aparência insetóide com uma cabeça que em algo se lembrava a uma mosca, suas asas, que fechadas davam a aparência de um manto, agora abertas lembravam as asas membranosas de muitos insetos, seus braços terminavam em garras e o que parecia ser sua boca tinha grandes presas que gotejavam de maneira disforme um liquido de uma cor indescritível. Em si só a criatura já era uma afronta a nossa mente, mas ela era algo mais, ela tinha uma forma distorcida que provava que o monstro pertencia a outra realidade, sua forma era tão difícil de se aceitar pela mente que em muitos aventureiros sua mera visão teria acarretado a loucura e a derrota. Nós quatro ficamos pasmos por um momento e lutando contra a própria mente enquanto o monstro corria em nossa direção com a boca preparada para atacar. O primeiro que tomou a consciência foi Asenhout que lendo algumas inscrições na palma de sua mão profere algumas palavras em uma cacofonia mística, e das pontas de seus dedos sai uma pequena faísca que tem destino certo no peito da criatura, e então explode em uma grande bola de chamas encobrindo toda a criatura. Quando todos pensavam que ela tinha morrido com o golpe, a criatura aparece entre a fumaça sem nenhum ferimento, e de forma desordenada tenta cravar os dentes em Aust que por sua vez se recupera a tempo de desviar de forma majestosa e com um salto retirar sua rapier e se colocar em posição defensiva. Behek conseguiu retomar a razão e retirando seu machado pula ferozmente em cima do monstro, seu machado ao acertar o couro da criatura produz um barulho seco e Behek percebe que seu golpe não conseguiu passar a sua couraça. O monstro revida com dois ataques de sua garra que atingem o tórax de Behek e o jogam para traz, Aust balança sua espada de forma ágil e com vários movimentos consegue acertar um ataque que produz um corte diagonal pelo qual vaza um sangue de cor indecifrável que derrete parte da vegetação onde ele cai. Behek se recupera do golpe e revida jogando seu machado em direção ao monstro, que acerta em cheio sua testa, o monstro cai estático no chão.
-Era um demônio da tormenta?-se questiona o mago
-Não importa o que ele era, para o lugar onde ele foi ele não poderá mais atacar ninguém.-retrucou Behek limpando seu machado no chão com cuidado.
Após se recompor todos fomos verificar a carroça, ela parecia ser de algum tipo de caravana, no seu interior tinham várias caixas de alimento e uma com varias garrafas de vinho e três corpos de pessoas.Nós pegamos o suficiente para nos alimentar por mais 2 semanas e algumas garrafas daquele vinho... esse foi nosso primeiro erro!”

A queda suave

Author: Jefferson Corrêa / Marcadores: ,

“Os dias seguintes passaram de forma demorada, não havia nada para se fazer além de se esperar que algo acontecesse, até que algo aconteceu. Era uma tarde com poucas nuvens no céu e o vento soprava fraco, sobrevoávamos uma planície de grama alta com poucas arvores e sem nenhum ser vivo até onde se podia enxergar.
-Eu pensei que você havia dito que chegaríamos em poucos dias! Esse seu balão é muito lento, seria mais rápido se estivéssemos cavalgando.-reclamou Asenhout.
-Não resmungue apenas aprecie a vista.-retrucou Aust se arqueando para vislumbrar a vista.
Aust acabara de proferir essas palavras quando um raio serpenteou ao lado do balão fazendo um estrondo ensurdecedor que fez com que os ouvidos de todos começassem a zunir.
-De onde surgiu esse raio, quase não há nuvens!-Exclamou Behek com as mão nos ouvidos e olhando para o céu.
-Esse raio não foi natural, eu estudei tempo demais na academia para reconhecer uma magia quando vej....
O mago Asenhout foi interrompido por um segundo raio que acertou em cheio em um dos balões que sustentava o barco no ar. Lentamente o balão foi perdendo o controle e ao mesmo tempo foi perdendo altitude.‘Segurem-se em algo!’ exclamei eu correndo em direção a primeira coisa sólida com a qual me deparei, os outros três fizeram o mesmo o mais rápido que conseguiram. A primeira queda é algo que nunca se esquece, os balões golins normalmente caem de forma lenta e em termos ‘suave’, isso é uma boa coisa já que eles sempre caem....
Após o impacto da queda conferimos para ver se todos estavam vivos, e enquanto fazíamos isso avistamos um grupo formado de quatro goblins selvagens. Três deles usavam maça e roupas quase inteiramente rasgadas e feitas de um pano velho e surrado, já o quarto vestia um manto negro com um colar feito de dentes humanos e em sua cabeça usando como um elmo ele exibia um crânio de algum humanóide pequeno, ele carregava um cajado velho e mal cuidado.
-São saqueadores, um deles é um clérico de ragnar deve ter sido ele que nos derrubou- Gritou o mago a plenos pulmões.
-Uma coisinha desse tamanho derrubou seu balão?-Caçoou Behek olhando pra mim
Nesse momento o goblin começou a gritar e blasfemar cuspindo as ofensas mais terríveis na antiga língua goblin e balançando seu cajado de forma assustadora, uma luz negra sai de seu cajado rumando certeira para o peito de Behek, que cambaleia e urra de dor diante do ataque do clérigo. O meio-elfo sorri com felicidade pela emoção, e desembainha sua rapier com um movimento circular de sua mão esquerda e com um salto grita a plenos pulmões:
-Eu sou Aust Montaigne, guardem esse nome em suas memórias, pois vai ser a ultima coisa que ouvirão em vida!
E com dois majestosos movimentos de sua arma ele derruba um dos goblins. O clérigo goblin amaldiçoa os deuses enquanto Behek se recupera do golpe e parte pra cima de um dos goblins abrindo-o ao meio com o balançar violento de seu machado. Asenhout abre rapidamente seu livro , profere algumas palavras numa língua antiga e bela e aponta sua mão direita para outro dos goblins, de seus dedos serpenteando saem dois raios coloridos que em uma fração de tempo encontram seu destino no meio da testa de um dos goblins. O clérigo goblin resmungando percebe que fora vencido e foge sem direção pela planice, antes de ser intercepitado por dois outros raios que saem dos dedos de Asenhout e acertam em suas costas o nocauteando.
-E agora goblin? Nós estamos no meio do nada! Em quanto tempo você consertará o balão?
-Sinto Behek, mas não tenho material o suficiente para reparar esse rasgo, teremos de seguir a pé, creio que estejamos próximos do reino de yuden, em laguns dias estaremos lá.-expliquei eu, ainda espantado com a demonstração de combate do grupo.
Após algumas reclamações e xingamentos, todos decidiram ser melhor continuar o percurso a pé. Após pegar tudo o que conseguíamos carregar, começamos de novo nossa jornada, só que dessa vez sem um balão para carregar nossas coisas.”

Um balão e uma missão.

Author: Jefferson Corrêa / Marcadores: ,

“Vladislav olha para os três, ele na realidade esperava um grupo maior, mais capacitado, ou mesmo mais ‘normal’.
-A missão de vocês é perigosa e eu não tenho certeza de que vocês poderão completá-la vivos. Eu preciso que vocês busquem um item, muito poderoso, que é guardado no topo das Montanhas Sanguinárias, alguns dizem que ele é guardado por um antigo dragão, outros dizem que a própria montanha que o guarda, sem deixar ninguém chegar perto dela. Esse item é um punhal, que muitos acreditam ter sido forjado por um dos deuses maiores, ninguém sabe qual deus o criou, muitas expedições já foram mandadas, mas nenhuma conseguiu voltar com o item, na realidade nenhuma conseguiu voltar!
-As Montanhas Sanguinárias! Poucos se aventuram a chegar perto dela, e além do mais ela está muito distante e nós não temos transporte, poderia levar meses ou anos pra chegarmos lá! E o mais importante, quanto vamos ganhar por isso?-disse Asenhout enrugando a testa.
- Dinheiro não é o problema, eu tenho muito e ficaria feliz em dividir com os heróis que me trouxerem esse item. E transporte é o motivo de estarmos nesse bairro, sigam-me.
Para Behek aquela pessoa escondia algo, mas resolveu confiar nele. Vladislav os guiou até uma parte mais para dentro do bairro quando eles vislumbraram algo que eu particularmente chamo de ponto mais alto da evolução tecnológica! Um barco de uns 9 metros de comprimentos feito de madeira com a carranca de um goblin no seu fim, e com três grandes balões de ar quente feitos de varias partes remendadas em sa parte superior, e na sua frente um goblin pequeno e franzino até mesmo para o padrão de sua raça, ele carregava uma mochila grande e pesada e usava roupas simples como todos daquele bairro.
-Eu lhes apresento seu guia e seu transporte.-disse Vladislav apontando para o goblin e para o barco
-Eu sou Kirkin, o da queda suave, e esse é meu “balão” - eu disse com um sorriso no rosto.
-Você quer que viajemos nesse negócio com um goblin que se chama “kirkin, o da queda suave”! Você deve estar brincando.-Diz Behek sem conseguir tirar o olhar do balão.
-Não se preocupe senhor eu sou conhecido por ser um dos baloeiros com o menor numero de acidentes da cidade! Eu os levarei em poucos dias até montanha onde acredita-se que esteja o tesouro. Mas devemos partir logo quanto antes sairmos mais rápido estaremos de volta.
-Aqueles que estiverem dispostos a apostar a própria vida nesta jornada serão recompensados com glória e tesouros incontáveis.

Parecia loucura arriscar a vida somente por reconhecimento e ouro, muitos heróis valorosos recusariam essa oferta só de ouvir o nome “montanhas sanguinárias”, mas não eles. Os três se entreolharam por um momento e em sincronia balançaram a cabeça afirmativamente, ‘o que eu tenho a perder?’ pensaram os três.
Na manhã seguinte os deuses continuavam abençoando a cidade com um clima agradável. Os três voltaram ao lugar combinado, o mago Asenhout agora carregava alem de seu livro uma pesada mochila e um cajado comum de madeira, que parecia servir apenas para ajudá-lo a andar. No lugar combinado estava o balão em forma de barco e eu a espera dos aventureiros. Os três se entreolharam com cara de duvida.
-Goblin, essa coisa é realmente segura?-disse Behek
-Podem confiar, esse balão nunca caiu-O que eles não sabiam é que aquele balão nunca havia voado também....
Cuidadosamente eles foram subindo no transporte um de cada vez. Após todos estarem dentro do balão eu comecei a cortar as cordas que o seguravam no chão, e logo ele começou a voar. O balão flutuava de forma desajeitada e balançava muito, mas pelo menos ele flutuava. Os três olhavam para baixo com desconforto pela altitude cada vez maior, foi então que eu olhei para eles e falei:
-Essa vai ser uma longa viagem.”

O bairro goblin.

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“A taverna cheirava a bebida forte e a comida estragada... Como toda taverna deveria ser. O forasteiro pede uma caneca de cerveja que após pagar como uma moeda de prata vira a caneca em um só gole longo e demorado. Após um momento de silencio ele se vira para o dono da taverna e com sua voz grave e calma pergunta:
-Onde eu poderia conseguir um trabalho onde eu possa utilizar meu machado?
O taverneiro demonstrando espanto em sua face levanta a mão apontando para um dos lados da taverna onde pregado em uma parede está um solitário pedaço mal cortado de papel com algo escrito em tinta preta. Behek sem dizer mais nenhuma palavra se aproxima do papel e retirando com cuidado da parede começa a ler silenciosamente, e após terminar diz:
- Eu realmente não esperava ter “arvores” para cortar por aqui!-e sai da taverna sorrindo.
No dia seguinte ele ruma para uma das partes mais obscuras da cidade de Valkaria, o bairro pobre dos goblins, lar dos maiores e mais sorrateiros ladrões. Até mesmo ele, acostumado com animais selvagens e as mais terríveis abominações de Megalokk, ali naquele lugar ele sentia medo, mesmo que em plena luz do dia não se via muitos goblins por lá... Ele caminha cuidadosamente até o ponto descrito no pergaminho onde ele se depara com outras duas pessoas, um jovem humano aparentando ter uns 18 anos, com cabelos curtos e escuros trajando um manto negro que seguia até os pés e carregava um grande livro com capa de curo, o qual carregava com dificuldade e um meio-elfo trajando uma roupa confortável, com botas negras até os joelhos, uma calça escura seguida por uma camisa larga branca com um colete preto ele possuía, cabelos longos e um cavanhaque cuidadosamente cortado e exibia um chapéu negro com uma pluma decorando. Os três se encaram por um momento sem dizerem uma palavra, até que caminhando em até eles aparece uma figura bem conhecida de todos em Arton:
-Prazer eu sou Vladislav Tpish!
-Eu sou Aust Montaigne as suas ordens - diz o meio elfo fazendo uma reverencia exagerada e balançando seu chapéu.
-Eu sou Behek woodcutter!
-E eu sou Asenhout mago recém formado da grandiosa academia arcana, mas quer dizer então que foi você que espalhou os panfletos pelas tavernas? Acho que é hora de saber o que seria essa missão pela qual você quer nos contratar, e qual o motivo de estarmos conversando neste lugar tão estranho!”

Kirkin, o da queda suave.

Author: Jefferson Corrêa / Marcadores: ,

Saudações, para aqueles que não me conhecem eu irei me apresentar. Sou Kirkin, e sou um dos muitos baloeiros goblins que existem na cidade de Valkaria, já fui conhecido por varias alcunhas mais a principal e aquela que me faz ter cada vez menos clientes como baloeiro é “Kirkin, o da queda suave”, isso se deve a alguns episódios que não precisam ser relatados nesse momento até porque essa história não é sobre mim, e sim sobre um grupo de aventureiros dos quais eu tive o prazer de ser o guia, ladino e amigo.
A nossa aventura começa na grande cidade de Valkaria, se você não a conhece você provavelmente não é desse mundo! Digo isso pois Valkaria é uma cidade singular no que diz respeito a tamanho, beleza, arquitetura, oportunidades de ganhar a vida (seja por meios legais ou não...)...enfim, é a maior cidade do reinado, lugar esse que naqueles tempos eu chamava de lar.
“Era uma manhã ensolarada sem nuvens no céu, como de costume a todos na cidade estavam agitados e preocupados com seus negócios, a cidade estava repleta das figuras mais estranhas possíveis, e digo isso sem me esquecer que sou um goblin que voa em um balão, mais todos pararam por um momento para ver um humano que acabara de chegar na cidade. Ele vestia uma calça rústica feita do couro de um animal que provavelmente ele mesmo matou, calçava botas marrons que subiam até o joelho, por cima da calça havia um cinto reluzente com fivela metal, sua camisa xadrez aberta parecia gasta pelo tempo, em sua face ele sustentava uma expressão de curiosidade que em conjunto com sua longa barba e cabelos vermelhos trançados já compunham uma exótica aparência, se não fosse o machado que ele carregava nas costas. Seu machado tinha um longo cabo de madeira negra com vários desenhos incrustados nele que terminava em uma lamina que brilhava majestosamente naquele sol forte. Ele seque pela cidade até adentrar na primeira taverna que ele encontra, então se dirige ao balcão e pede ao atendente uma caneca de cerveja, este intrigado pergunta cauteloso o nome do forasteiro que responde:
-Sou Behek woodcutter!”

Saudações Leitores!

Author: Jefferson Corrêa / Marcadores:


Esse blog foi criado com a intenção de acabar com o meu tempo ocioso e ainda divulgar aventuras de rpg antigas(vividas por meu grupo, e mostradas em forma de contos) para que nós possamos relembrar e para outros mestres terem noções de como não se deve ser um jogo de rpg ^^. É claro que como tudo no mundo essa idéia não partiu do nada, ela foi uma “cópia” ^^, depois que vários amigs meus fazerem blogs, eu os li e achei a idéia muito interessante então resolvi também entrar na onda e apesar de não tera mesma habilidade com textos que eles possuem... vamos ver no que vai dar.....



http://abhermann.blogspot.com/
http://candrevasblog.blogspot.com/
http://www.blog.klaryan.com/